A exposição prolongada ao sol exige atenção durante atividades ao ar livre em Manaus. A radiação ultravioleta (UV) pode causar queimaduras, envelhecimento precoce da pele, lesões nos olhos e aumentar o risco de câncer de pele ao longo da vida.
O cuidado não deve ficar restrito a dias de praia, passeios ou atividades de lazer. Pessoas que trabalham na rua, praticam esportes, acompanham crianças em áreas abertas ou precisam se deslocar sob o sol também estão sujeitas à exposição acumulada.
Segundo o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a principal forma de prevenção é evitar o excesso de sol e adotar medidas de proteção sempre que a exposição for necessária.
Por que a exposição ao sol exige cuidado
A radiação UV pode atingir a pele de forma direta, dispersa no céu aberto ou refletida por superfícies do ambiente. Por isso, permanecer em uma área externa não significa estar protegido apenas porque o sol não incide diretamente sobre o corpo.
Os efeitos da radiação são cumulativos. Isso significa que exposições repetidas, queimaduras e longos períodos sem proteção podem contribuir para danos que aparecem com o passar dos anos. A exposição excessiva na infância e na adolescência merece atenção especial, porque pode elevar o risco de problemas de pele na vida adulta.
O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. Embora pessoas de pele clara tenham maior risco de queimaduras e de alguns tipos da doença, pessoas negras e de pele morena também podem sofrer queimaduras, lesões oculares e desenvolver câncer de pele.
A Organização Mundial da Saúde recomenda a adoção de medidas de proteção quando o índice ultravioleta chega a 3 ou mais. O índice UV pode ser consultado em serviços de previsão do tempo e ajuda a avaliar o potencial de dano da radiação em determinado período.
Evite os horários de maior intensidade
Uma das principais orientações para reduzir os danos é evitar a exposição direta entre 10h e 16h, período em que a radiação ultravioleta costuma ser mais intensa. Quando não for possível mudar o horário de uma atividade, é importante reduzir o tempo ao sol e combinar diferentes formas de proteção.
O uso de filtro solar, isoladamente, não deve ser interpretado como autorização para permanecer mais tempo sob o sol. A proteção mais eficaz resulta da combinação de sombra, roupas, chapéu, óculos de sol e filtro nas áreas que permanecem descobertas.
Mesmo em dias nublados, a radiação UV pode alcançar a pele. A presença de nuvens ou a sensação de temperatura menos elevada não elimina a necessidade de proteção, especialmente durante períodos prolongados ao ar livre.
Sombra, roupas e acessórios ajudam a reduzir a exposição
Procurar sombra é uma das medidas mais simples para diminuir a incidência direta da radiação. Árvores, marquises, coberturas e toldos podem ser usados durante pausas, deslocamentos e atividades de lazer. De acordo com o Inca, áreas de sombra podem reduzir significativamente a intensidade da radiação ultravioleta.
Roupas que cobrem braços e pernas também ajudam. Camisas de mangas longas, calças, tecidos mais fechados e peças desenvolvidas com proteção UV são alternativas especialmente úteis para quem permanece muitas horas em áreas abertas. A escolha deve considerar conforto, ventilação e possibilidade de troca quando houver suor excessivo.
Chapéus ou bonés com abas mais amplas protegem regiões frequentemente expostas, como rosto, orelhas, pescoço e nuca. Os óculos de sol devem oferecer proteção contra os raios UVA e UVB. Modelos que cobrem melhor a lateral dos olhos podem ampliar a proteção contra a radiação e o excesso de luminosidade.
Guarda-sóis e sombrinhas também podem ser úteis, mas não substituem roupas, chapéu e filtro solar. A radiação refletida pelo ambiente pode atingir áreas que permanecem expostas.
Como usar o filtro solar
O filtro solar deve ser aplicado nas partes do corpo que não estão cobertas por roupas. O produto precisa ser espalhado de maneira uniforme, sem esquecer áreas como orelhas, nuca, mãos, pés, pescoço e a linha próxima ao couro cabeludo.
O Inca orienta que o filtro seja aplicado cerca de 30 minutos antes da exposição e reaplicado a cada duas horas durante a permanência ao sol. A reaplicação também é necessária depois de nadar, praticar atividade física, suar muito ou se secar com toalha.
O fator de proteção solar, conhecido como FPS, indica principalmente a proteção contra a radiação UVB. O produto deve oferecer proteção de amplo espectro, incluindo UVA. A escolha do FPS pode variar conforme o tipo de pele, a intensidade da exposição e a orientação de um profissional de saúde. Em qualquer caso, aplicar pouca quantidade reduz a proteção real do produto.
O filtro solar não deve ser usado para prolongar deliberadamente o tempo sob o sol nem para estimular o bronzeamento. Produtos resistentes à água também precisam ser reaplicados, porque suor, água e toalhas podem remover parte da camada aplicada.
Crianças precisam de proteção reforçada
Crianças passam, em geral, mais tempo em atividades ao ar livre e podem não perceber quando a pele começa a arder ou ficar vermelha. Cabe aos adultos planejar pausas na sombra, oferecer água e garantir o uso de roupas, chapéu e óculos adequados.
Bebês e crianças pequenas exigem atenção especial. O ideal é evitar a exposição direta e prolongada, priorizando sombra e roupas que cubram o corpo. O uso de produtos na pele deve seguir a faixa etária indicada no rótulo e, quando houver dúvida, a orientação do pediatra.
Queimaduras solares na infância não devem ser tratadas como parte normal de um passeio. A exposição excessiva nessa fase pode contribuir para danos acumulados que se manifestam anos mais tarde.
Trabalhadores ao ar livre devem adotar uma rotina de proteção
Profissionais que trabalham sob o sol por longos períodos estão entre os grupos mais expostos à radiação UV. Trabalhadores da construção civil, limpeza urbana, entregas, transporte, comércio de rua, agricultura e atividades em áreas abertas precisam incorporar a proteção à rotina de trabalho.
Sempre que possível, as tarefas devem ser organizadas para reduzir a permanência durante os horários de maior intensidade solar. Pausas em locais cobertos, acesso à água, roupas apropriadas, chapéu de abas largas, óculos com proteção UV e filtro solar nas áreas descobertas são medidas importantes.
O Inca considera a radiação solar um importante fator de risco ocupacional para trabalhadores que exercem atividades ao ar livre. A proteção, portanto, não deve depender apenas da iniciativa individual: empresas e responsáveis pelas atividades também devem favorecer condições mais seguras.
Olhos e lábios também precisam de proteção
A exposição excessiva à radiação UV não afeta apenas a pele. Os olhos também podem sofrer danos, principalmente quando a pessoa permanece em ambientes muito claros ou próximos de superfícies que refletem a luz. Óculos escuros com proteção UV confiável ajudam a reduzir essa exposição.
Os lábios podem ressecar, queimar e apresentar lesões após exposições repetidas. O uso de protetor labial com proteção solar é recomendado, sobretudo em atividades prolongadas ao ar livre.
Pessoas que usam medicamentos que aumentam a sensibilidade ao sol, têm histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, muitas pintas ou doenças dermatológicas devem buscar orientação profissional sobre os cuidados mais adequados.
O que fazer diante de uma queimadura
A pele avermelhada, quente, dolorida ou com bolhas pode indicar queimadura solar. Nesse caso, a primeira medida é interromper a exposição e procurar um ambiente protegido. Banhos em água fresca podem aliviar o desconforto, mas não se deve estourar bolhas nem aplicar produtos caseiros sem orientação.
Queimaduras extensas, dor intensa, bolhas numerosas, febre, mal-estar, sinais de desidratação ou alterações de consciência exigem avaliação em um serviço de saúde. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas merecem atenção especial.
Também é importante observar manchas, feridas que não cicatrizam, sinais que mudam de cor ou formato, sangramentos e lesões novas. Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas devem ser avaliados por um profissional, principalmente quando persistem.
Proteção deve fazer parte da rotina
Em Manaus, os cuidados contra a exposição prolongada ao sol devem acompanhar a rotina de trabalho, estudo, deslocamento e lazer. A estratégia mais segura é combinar sombra, roupas adequadas, chapéu, óculos com proteção UV e filtro solar nas áreas descobertas.
Evitar o sol mais intenso, proteger crianças, planejar pausas e reaplicar o filtro são medidas simples que reduzem queimaduras e ajudam a prevenir danos acumulados. A proteção deve ocorrer não apenas em dias de calor intenso, mas sempre que houver permanência prolongada ao ar livre.
As orientações têm caráter informativo e não substituem avaliação médica. Em caso de queimadura importante, lesão persistente ou dúvida sobre uma alteração na pele, procure uma unidade de saúde ou um dermatologista.