O período de chuvas em Manaus exige atenção redobrada com a saúde. Alagamentos, água contaminada, aumento de recipientes com água parada, presença de roedores e deslocamento de animais peçonhentos podem favorecer doenças e acidentes. Medidas simples, adotadas antes, durante e depois das chuvas, ajudam a reduzir esses riscos.
Entre os principais problemas associados a enchentes e alagamentos estão a leptospirose, as doenças diarreicas, a hepatite A, o tétano, as arboviroses, como dengue, chikungunya e zika, além de ferimentos, acidentes e agravamento de problemas respiratórios. O Ministério da Saúde recomenda evitar o contato com água e lama de inundações e procurar atendimento ao apresentar sintomas após uma exposição de risco. (gov.br)
Evite contato com água de alagamentos
A água acumulada em ruas, quintais e imóveis pode conter esgoto, resíduos, produtos químicos, fezes de animais e microrganismos. Por isso, não é seguro atravessar áreas alagadas quando houver alternativa. A recomendação é aguardar a água baixar e seguir as orientações dos órgãos responsáveis pela segurança e pela Defesa Civil.
Quando o contato for inevitável, a pessoa deve proteger a pele com botas e luvas impermeáveis. Na ausência desses equipamentos, podem ser usados sacos plásticos resistentes, desde que estejam bem presos e não substituam os equipamentos adequados em situações prolongadas. Cortes e ferimentos devem ser cobertos antes da exposição.
Depois do contato, é importante lavar a pele com água limpa e sabão. Roupas, calçados e objetos atingidos pela água devem ser higienizados. Se houver ferimento, dor, vermelhidão, inchaço ou outro sinal de infecção, a orientação é procurar uma unidade de saúde.
Fique atento aos sinais de leptospirose
A leptospirose é uma infecção causada por bactéria eliminada principalmente pela urina de roedores. A contaminação pode ocorrer quando a pele ou as mucosas entram em contato com água ou lama contaminada, especialmente durante enchentes e alagamentos.
Os sintomas podem incluir febre, dor de cabeça, dor muscular intensa — principalmente nas panturrilhas —, cansaço, náuseas e vômitos. Em alguns casos, a doença pode evoluir para quadros graves. Pessoas que tiveram contato com água ou lama de alagamento devem informar essa exposição ao profissional de saúde caso apresentem sintomas nos dias seguintes. (gov.br)
Não é recomendado esperar o quadro piorar nem tomar antibióticos por conta própria. A avaliação médica é necessária para definir a conduta adequada. Sinais como olhos ou pele amarelados, dificuldade para respirar, sangramentos, redução da urina, confusão mental ou fraqueza intensa exigem atendimento imediato.
Cuide da água e dos alimentos
Durante ou depois de uma inundação, a água de consumo pode ser contaminada mesmo quando não há alteração visível de cor, cheiro ou gosto. A população deve utilizar somente água considerada segura pelas autoridades ou devidamente tratada para beber, preparar alimentos, fazer gelo e escovar os dentes.
Alimentos que tiveram contato com água de enchente devem ser descartados. Também devem ser eliminados produtos com embalagem danificada, alimentos que ficaram sem refrigeração por tempo prolongado e itens cujo aspecto, cheiro ou validade causem dúvida. Não é seguro tentar recuperar alimentos contaminados apenas lavando ou cozinhando.
As mãos devem ser lavadas com água e sabão antes do preparo e do consumo de alimentos, depois do uso do banheiro, após a limpeza da casa e sempre que houver contato com água de alagamento ou objetos contaminados. Essas medidas reduzem o risco de diarreias e outras doenças transmitidas pela água e pelos alimentos. (gov.br)
Elimine criadouros do mosquito
As chuvas podem deixar recipientes e áreas com água acumulada, criando condições favoráveis à reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus. A prevenção deve ser feita mesmo quando não há casos conhecidos na vizinhança.
Depois da chuva, é necessário verificar lajes, calhas, ralos, vasos de plantas, pneus, garrafas, lonas, caixas-d’água, bandejas de aparelhos e outros recipientes. A água deve ser retirada, e os objetos precisam ser lavados e mantidos protegidos. Caixas-d’água e tonéis devem permanecer tampados.
Febre, dor de cabeça, dor no corpo, dor atrás dos olhos, manchas na pele, náuseas e cansaço podem ocorrer em infecções por arbovírus. Como os sintomas podem se confundir com os de outras doenças, a pessoa deve buscar avaliação em um serviço de saúde e evitar a automedicação. Em caso de suspeita de dengue, medicamentos à base de ácido acetilsalicílico devem ser evitados sem orientação profissional, por causa do risco de sangramento.
Redobre o cuidado durante a limpeza da casa
A limpeza de imóveis atingidos por alagamentos só deve ser feita quando houver segurança para entrar no local. Antes de abrir portas, armários e caixas, é preciso considerar a possibilidade de haver animais escondidos, fios elétricos energizados, estruturas danificadas e objetos cortantes.
O uso de luvas, botas, calça comprida, camisa de mangas longas e proteção para os olhos ajuda a reduzir o contato com água contaminada e a ocorrência de ferimentos. Crianças e animais domésticos devem ficar afastados da área durante a limpeza.
Após a remoção da lama e dos resíduos, superfícies, utensílios e reservatórios de água precisam ser lavados e desinfetados conforme as orientações das autoridades sanitárias. Casas, escolas e outros espaços atingidos não devem ser reocupados antes da limpeza e da desinfecção adequadas. (gov.br)
Tenha atenção com cobras, escorpiões e aranhas
Chuvas intensas e enchentes podem fazer com que animais peçonhentos deixem seus abrigos e procurem locais secos. Eles podem estar escondidos em entulhos, roupas, calçados, caixas, móveis e dentro de imóveis atingidos pela água.
Antes de usar sapatos, botas, roupas de cama ou peças que ficaram guardadas, é importante verificar o interior e sacudir os objetos. A limpeza de quintais e depósitos deve ser feita com ferramentas, evitando colocar as mãos em buracos, frestas e pilhas de materiais.
Em caso de picada, a pessoa deve procurar atendimento médico o mais rápido possível. O local pode ser lavado com água e sabão, mas não se deve fazer cortes, sugar o veneno, aplicar substâncias caseiras ou apertar a região com garrote. Se for possível sem colocar outras pessoas em risco, uma fotografia do animal pode ajudar na identificação, mas a tentativa de capturá-lo deve ser evitada. (gov.br)
Proteja as vias respiratórias e a saúde mental
Ambientes fechados, úmidos e com mofo podem agravar rinite, asma, bronquite e outras doenças respiratórias. Depois de uma inundação, é necessário ventilar o imóvel quando houver segurança, remover materiais danificados e evitar a permanência prolongada em locais com forte odor de mofo.
Pessoas com asma, doenças pulmonares, alergias, idosos, crianças pequenas, gestantes e indivíduos com doenças crônicas podem ser mais vulneráveis às condições adversas. Quem faz uso contínuo de medicamentos deve manter o tratamento prescrito e buscar orientação médica caso os sintomas se intensifiquem.
Desastres e perdas materiais também podem provocar medo, ansiedade, insônia e sofrimento emocional. Manter contato com familiares, buscar apoio na comunidade e procurar atendimento quando o sofrimento impedir as atividades diárias são atitudes importantes. A saúde durante as chuvas envolve tanto a prevenção de infecções e acidentes quanto o cuidado psicológico.
Quando procurar uma unidade de saúde
A avaliação profissional é indicada após contato com água de enchente quando surgirem febre, dor muscular intensa, dor de cabeça, vômitos, diarreia, manchas na pele, olhos ou pele amarelados, falta de ar, sangramento, redução da urina ou piora rápida do estado geral.
Também é necessário procurar atendimento em casos de picadas de animais peçonhentos, ferimentos profundos, contato de água contaminada com cortes, sinais de infecção ou descompensação de doenças crônicas. Ao chegar ao serviço de saúde, informe se houve contato com alagamento, lama, roedores, animais ou alimentos e água de origem duvidosa.
Em Manaus, a população deve acompanhar os alertas oficiais e as orientações da Secretaria Municipal de Saúde, do governo do Amazonas e dos demais órgãos de proteção e defesa civil. A prevenção começa com o cuidado dentro de casa: evitar a água de alagamentos, manter os alimentos protegidos, eliminar criadouros de mosquitos e não adiar a busca por atendimento diante de sinais de gravidade.
As recomendações gerais sobre enchentes, leptospirose, água, alimentos e acidentes podem ser consultadas no portal do Ministério da Saúde.


