sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Municípios do Amazonas

Financiamentos para pesca e mandioca destacam cadeias produtivas de Amaturá

Registros de 2023 apontam R$ 251 mil em financiamentos para agricultores e pescadores de Amaturá, enquanto indicadores do IBGE mostram um município de 4.658,391 km² e 10.819 habitantes no Censo de 2022.

Registros de 2023 sobre financiamentos e capacitações ajudam a mostrar como a economia de Amaturá, no Alto Solimões, está ligada à pesca artesanal, ao cultivo e beneficiamento da mandioca e às atividades de serviços. Naquele ano, foram anunciados R$ 251 mil em investimentos para agricultores e pescadores do município, segundo o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam).

Os recursos contemplavam capital de giro e equipamentos para a produção, como embarcações, motores, refrigeradores e roçadeiras. No mesmo período, produtores também demandaram capacitação em fabricação de farinha e derivados de mandioca, manejo da castanha-do-brasil e apoio à piscicultura.

Produção rural e pesca

Um estudo disponibilizado pelo Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), publicado em 2025 com base em referências anteriores, identifica o setor terciário como relevante para a economia local. O material também menciona a produção de mandioca, banana e milho, além da pesca de pirarucu.

A mandioca aparece em diferentes etapas da atividade econômica de Amaturá. Além do cultivo, o produto é utilizado na fabricação de farinha e derivados, o que amplia a importância do processamento para agricultores e comunidades. A necessidade de equipamentos, assistência técnica e conservação do pescado está relacionada ao funcionamento dessas cadeias produtivas.

Em outro registro de 2023, o Idam informou que produtores haviam solicitado pós-larvas de tambaqui para apoiar a piscicultura municipal. A demanda se somava às iniciativas voltadas à pesca artesanal e ao cultivo de mandioca.

Os dados registram atividades econômicas associadas à rotina de agricultores e pescadores, em um território formado por uma sede urbana e comunidades rurais e ribeirinhas. A organização do município também inclui localidades distribuídas pelo interior e bairros como Centro, Santa Etelvina e São Francisco, conforme a Wikipédia.

Território e população

Amaturá está no oeste do Amazonas e integra a Região Geográfica Imediata de Tabatinga e a Região Geográfica Intermediária de Tefé. O município faz divisa com Jutaí, São Paulo de Olivença e Santo Antônio do Içá. Segundo a Amazonastur, fica a aproximadamente 907 quilômetros de Manaus.

O painel Cidades e Estados, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informa área territorial de 4.658,391 km² em 2025 e população de 10.819 habitantes no Censo de 2022. A densidade demográfica registrada para aquele ano foi de 2,28 habitantes por quilômetro quadrado.

O mesmo painel apresenta população estimada de 11.633 habitantes para 2026. O número supera o total contabilizado no Censo de 2022 em 814 pessoas, uma diferença de aproximadamente 7,5%. A comparação reúne uma estimativa e uma contagem censitária, que têm naturezas distintas.

Entre os demais indicadores apresentados pelo IBGE estão escolarização de 6 a 14 anos de 98,91% em 2022, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,560 em 2010 e mortalidade infantil de 18,66 óbitos por mil nascidos vivos em 2025. O painel também registra PIB por habitante de R$ 12.453,24 em 2023, receitas brutas realizadas de R$ 117.938.951,96 e despesas brutas empenhadas de R$ 101.910.178,46 em 2025.

A escolarização indicada pelo IBGE corresponde à matrícula e não mede, isoladamente, a aprendizagem. O IDHM tem como referência o ano de 2010, enquanto a mortalidade infantil exige uma série histórica para a análise de tendências. Já o PIB por habitante representa uma média da produção econômica e não equivale à renda individual dos moradores.

Missões e formação administrativa

A história de Amaturá está relacionada à formação de São Paulo de Olivença e às missões religiosas instaladas no Alto Solimões. De acordo com a Prefeitura de Amaturá, a trajetória remonta à missão de São Paulo Apóstolo, estabelecida por jesuítas no final do século XVII, em uma região habitada por povos indígenas e posteriormente disputada por portugueses e espanhóis.

A antiga missão passou a ser conhecida como aldeia de São Paulo dos Cambebas e, mais tarde, tornou-se sede de São Paulo de Olivença. Desmembramentos territoriais reorganizaram a região e deram origem a novos municípios. Amaturá conquistou a emancipação em 1981, dentro desse processo de transformação administrativa do interior amazonense.

O nome do município também é associado a uma referência indígena. Conforme a explicação registrada pela prefeitura, baseada em relatos de historiadores locais, a denominação estaria relacionada ao aturá, cesto usado para transportar diferentes materiais, especialmente entre os povos Cocama e Cambeba. A pronúncia teria se modificado até chegar à forma atual. A versão é atribuída ao relato do frei Henrique Sampalmiere no livro Os Segredos da Selva.

Patrimônio, religiosidade e turismo

Entre as referências de Amaturá está o Colégio São Cristóvão, associado à antiga atividade de formação seminarística. A Amazonastur também destaca a Praça São Cristóvão, espaço relacionado ao passeio e à contemplação do pôr do sol.

O órgão estadual de turismo menciona hospedagens e restaurantes de estrutura simples, com pratos típicos do Alto Solimões. As construções históricas e a paisagem complementam um conjunto de atrativos ligados à memória e ao cotidiano do município.

A religiosidade ocupa espaço na vida comunitária. Os festejos de São Cristóvão são apresentados pela prefeitura como uma tradição que reúne celebração religiosa, participação das famílias e movimentação econômica. A organização envolve a Paróquia São Cristóvão, com apoio municipal à estrutura do evento.

O calendário oficial do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas registra 25 de julho como Dia do Padroeiro São Cristóvão e 30 de março como a data de elevação de Amaturá à categoria de cidade. As duas referências associam a memória municipal à tradição religiosa e à trajetória administrativa.

Entre produção rural, pesca, serviços, patrimônio construído e heranças indígenas, Amaturá reúne elementos que ajudam a explicar a formação e o funcionamento de uma cidade vinculada aos rios e às comunidades do Alto Solimões.