terça-feira, 20 de outubro de 2026
MEIO AMBIENTE

Projeto conecta planejamento, operação e atendimento à fauna nas rodovias

Proposta em tramitação na Câmara dos Deputados cria diretrizes para que a presença da fauna seja considerada em diferentes etapas das rodovias, do planejamento à resposta após os atropelamentos.
Travessia-Silvestre-ao-Entardecer

Um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados pretende organizar a prevenção e a resposta aos atropelamentos de animais em rodovias brasileiras. A proposta estabelece diretrizes para que a presença da fauna seja considerada no planejamento, na implantação, na operação e no acompanhamento das estradas.

O texto trata o problema como uma questão que exige ações contínuas, e não apenas providências isoladas depois que os acidentes acontecem. Entre os eixos previstos estão o levantamento de ocorrências, o monitoramento de trechos com maior presença de animais, a adoção de medidas preventivas e a articulação entre os responsáveis pelas rodovias e os órgãos ligados à proteção ambiental.

Fauna passa a ser considerada em diferentes etapas

A proposta amplia o momento em que a fauna deve ser levada em conta nas decisões sobre as rodovias. Em vez de concentrar a resposta na remoção de animais mortos ou feridos, o projeto prevê que a proteção seja incorporada às etapas de planejamento e operação da infraestrutura.

Essa abordagem inclui a análise dos impactos das estradas sobre os animais e a identificação de áreas em que a circulação da fauna pode entrar em conflito com o tráfego de veículos. A partir dessas informações, poderão ser definidas medidas destinadas a reduzir o risco de atropelamentos.

O projeto também relaciona a prevenção ao funcionamento regular das rodovias. Com isso, a observação da fauna e o registro das ocorrências podem fazer parte da rotina de gestão, ao lado de outras atividades de acompanhamento das condições da pista e da segurança viária.

Registro de ocorrências deve orientar as ações

Um dos pontos centrais do texto é a necessidade de reunir informações sobre os atropelamentos. Os registros podem indicar os locais mais afetados, a frequência dos acidentes e os períodos em que o risco é maior.

Com dados organizados, a administração das rodovias teria elementos para definir prioridades e avaliar quais intervenções são necessárias em cada trecho. A proposta prevê o uso do monitoramento como instrumento para acompanhar a situação e apoiar decisões relacionadas à sinalização, à circulação de veículos e à adoção de estruturas de proteção.

O levantamento também pode contribuir para identificar os caminhos utilizados pelos animais e os pontos em que a estrada interrompe ou dificulta o deslocamento da fauna. Essas informações são relevantes para orientar soluções compatíveis com as características de cada rodovia e do ambiente ao redor.

Prevenção inclui medidas específicas nas estradas

O projeto prevê que as rodovias possam receber medidas voltadas à redução dos atropelamentos. A definição das ações deve considerar as condições de cada local, os registros existentes e a presença de animais nas áreas próximas à pista.

Entre as possibilidades relacionadas à prevenção estão o reforço da sinalização e o acompanhamento de trechos considerados críticos. O texto também contempla a adoção de soluções que permitam ou facilitem a passagem segura dos animais, de acordo com a avaliação técnica e com as características da estrada.

A proposta não trata todas as rodovias como se apresentassem o mesmo risco. A lógica é que as medidas sejam planejadas com base nas informações disponíveis e ajustadas às necessidades de cada trecho. O monitoramento permitiria verificar se as ações adotadas produzem o resultado esperado e se precisam ser alteradas.

Resposta depois do atropelamento

Além de buscar evitar os acidentes, o texto estabelece uma preocupação com o que deve ser feito quando um animal é atropelado. A resposta inclui o registro da ocorrência e a adoção de procedimentos para lidar com animais feridos ou mortos na pista.

O atendimento adequado é importante tanto para a proteção da fauna quanto para a segurança dos usuários. A presença de um animal na rodovia pode provocar novos acidentes, sobretudo quando permanece sobre a pista ou em suas proximidades. Por isso, o projeto relaciona o cuidado com a fauna às rotinas de manutenção e segurança rodoviária.

A atuação após o acidente também pode produzir informações úteis para a prevenção. Cada ocorrência registrada ajuda a formar um conjunto de dados sobre a localização e as circunstâncias dos atropelamentos. Esse histórico pode ser usado para orientar medidas futuras e acompanhar a evolução do problema.

Integração entre órgãos e responsáveis pelas rodovias

O projeto prevê a participação coordenada de diferentes instituições na execução das ações. A prevenção de atropelamentos depende de informações sobre tráfego, infraestrutura, meio ambiente e comportamento da fauna, áreas que podem envolver órgãos e entidades distintos.

A articulação busca evitar que o problema seja tratado de forma fragmentada. Quem administra a rodovia pode reunir dados sobre os acidentes e as condições da pista, enquanto os órgãos ambientais podem contribuir com informações sobre as espécies e os deslocamentos dos animais. A cooperação entre essas áreas é apresentada como parte da resposta prevista na proposta.

O texto também considera a necessidade de integrar as ações de prevenção ao planejamento das obras e à operação das estradas. Dessa forma, a proteção da fauna pode ser analisada durante a definição de intervenções, e não somente depois da ocorrência de acidentes.

Política deve abranger monitoramento e planejamento

Ao reunir prevenção, registro, atendimento e acompanhamento, a proposta cria uma estrutura nacional para orientar iniciativas relacionadas aos atropelamentos de animais. O objetivo é estabelecer uma referência comum para a atuação nas rodovias, sem restringir o tema a campanhas pontuais ou a respostas emergenciais.

O monitoramento aparece como uma ferramenta para manter a política atualizada. A identificação de novos pontos de risco e a análise dos resultados das medidas implantadas podem orientar mudanças na sinalização, no planejamento ou na operação das estradas.

A abordagem também permite que o impacto das rodovias sobre a fauna seja observado ao longo do tempo. A expansão ou a alteração de uma estrada pode modificar os caminhos dos animais e criar novos pontos de conflito com o tráfego. Por isso, o acompanhamento contínuo é tratado como parte da política proposta.

Proposta ainda está em tramitação

O texto ainda está em análise na Câmara dos Deputados e, portanto, não representa uma política já em vigor. A tramitação poderá incluir avaliação pelas comissões responsáveis e mudanças no conteúdo antes de uma eventual aprovação.

Enquanto o projeto não é convertido em norma, as medidas relacionadas à proteção da fauna nas rodovias dependem das regras e dos procedimentos já adotados pelos órgãos públicos e pelos responsáveis pela administração das estradas. A proposta em discussão busca reunir essas frentes em uma política específica, com diretrizes para prevenção, monitoramento e resposta.

Ao colocar os atropelamentos de animais dentro do planejamento rodoviário, o projeto amplia o foco sobre o problema. A estrada deixa de ser considerada apenas como espaço de circulação de veículos e passa a ser analisada também pelo impacto que sua construção e operação provocam sobre a fauna.

Fonte: Agência Câmara de Notícias.